crítica bárbara heliodora

outubro 19th, 2009

A máquina de abraçar_crítica Bárbara Heliodora_O Globo_16 out

para melhor leitura:

http://oglobo.globo.com/cultura/rioshow/mat/2009/10/15/maquina-de-abracar-texto-de-sinisterra-em-montagem-comovente-na-estreia-de-malu-galli-na-direcao-768073479.asp

Antes de começar a peça, sábado, 17 de outubro

outubro 17th, 2009

fotografia

temporada

outubro 13th, 2009

E eis que chega a temporada das flores, da chuva e da sucessão de espetáculos. Gente entrando e saindo, chegando, sentando, levantando, ficando, escrevendo… A cada noite, mais gente. Outra gente, depois. Quem veio, nem sei. Quem viu, será que ouviu?
E fulano, que é que disse? Beltrano? Ontem?
A diretora nem tem mais função. Fica ali, atrás da cortina, ouvindo, balançando.
O teatro é a coisa mais viva, assustadora e autônoma que a gente pode inventar. É uma massa disforme, orgânica, mutante. É um adolescente imprevisível, uma massa de bolo quase assada, algo que não se domina, não se organiza, não se formata.

Malu

crítica

setembro 30th, 2009

Bela crítica de Lionel Fischer publicada em seu blog http://lionel-fischer.blogspot.com

“A máquina de abraçar”

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Poderosa metáfora da atualidade

Lionel Fischer

Sem dúvida uma das atividades mais relevantes exercidas pelo homem, posto que objetiva livrá-lo de todos os males que o afligem – tanto físicos como psicológicos -, e mesmo levando-se em conta seus inegáveis avanços, mesmo assim a Medicina ainda engatinha em muitos campos. Como, por exemplo, no que se refere ao Autismo. Doença até o momento incurável e de origem desconhecida – ainda que muitas hipóteses venham sendo formuladas -, em contrapartida dela conhecemos inúmeros sintomas, capazes de indicar que uma criança seja autista.

Dentre esses sintomas, podem ser citados: acentuada falta de reconhecimento da existência ou dos sentimentos dos demais, anormalidade na comunicação não verbal, marcada anomalia na emissão da linguagem com afetação, anomalia na forma e conteúdo da linguagem, movimentos corporais estereotipados, preocupação persistente por parte de objetos, intensa aflição em aspectos insignificantes do ambiente, insistência irracional em seguir rotinas com todos os seus detalhes, limitação marcada de interesses com concentração em um interesse particular e, finalmente, múltiplas ausências: de busca de consolo em momentos de aflição, de capacidade de imitação, de relação social e de vias de comunicação adequadas.

Embora um tanto extensa, a introdução acima me parece justificável na medida em que o presente texto, do espanhol José Sanchis Sinisterra, foi inspirado no relato de uma autista real ao neurologista Oliver Saks, que o converteu no livro Um antropólogo em Marte – mas é possível que Sinisterra tenha também se inspirado em Wilhelm Reich (1897-1957), médico e cientista natural alemão, em especial em uma das três técnicas terapêuticas que criou: “A vegetoterapia caractero-analítica”. A partir desta leitura, Sinisterra escreveu A máquina de abraçar, ambientada em um congresso psicanalítico e protagonizada por uma terapeuta e sua paciente autista. Com direção de Malu Galli, a peça pode ser vista no Espaço Tom Jobim, interpretada por Marina Vianna (terapeuta) e Mariana Lima (autista)

A mola propulsora da ação seria a surpreendente recuperação da paciente – ainda que parcial -, que lhe permitiu, dentre outras coisas, escrever um livro sobre a vida afetiva das pantas, já em sua 11ª edição, e a criação da tal máquina de abraçar. No entanto, e salvo monumental engano de minha parte, o autor apenas se serviu da doença para convertê-la em poderosa e assustadora metáfora dos tempos que correm. Isto fica claro, em especial, quando a terapeuta denuncia os “tubarões” que dominam o mundo – banqueiros, empresários, empreiteiros, especuladores etc. – que, a exemplo dos autistas, não estabelecem com os demais mortais nenhum tipo de comunicação, carecem de uma mínima capacidade de escuta e apenas se empenham em materializar seus próprios interesses. O mundo estaria, portanto, dominado por um autismo inteiramente imune a quaisquer esforços terapêuticos convencionais.

Bem escrito, contendo ótimos personagens e mexendo em feridas que tendem cada vez mais a se agravar, o ótimo texto de Sinisterra recebeu uma versão cênica à altura de sua pertinência. Em sua primeira direção teatral, a excelente atriz Malu Galli impõe à cena uma dinâmica austera, seca, plena de nervosidade, provocando na platéia um permanente estado de inquietação. Mas tal feito, evidentemente, só se materializou graças à colaboração de todos os profissionais envolvidos neste mais do que oportuno projeto. A começar pelas duas atrizes.

Na pele da terapeuta, Marina Vianna consegue transmitir, com vigor e sensibilidade, as principais características da personagem, dentre elas sua determinação em tratar a paciente através de métodos nada ortodoxos e sua entrega absoluta à tarefa de tentar recuperar uma pessoa destinada à solidão e à indiferença – afinal, autismo não tem cura, não é mesmo?

Com relação a Mariana Lima, esta exibe aqui a melhor performance de sua carreira. E isto se deve não somente à sua notável capacidade de criar gestos que nos remetem aos dos autistas, tampouco às pausas e modulações de voz – certamente admiráveis – mas sobretudo porque a atriz dá a sensação de que o resultado de sua composição partiu de suas entranhas e não de mera imitação de pacientes portadores da doença. Certamente posso estar enganado, mas ouso supor que Mariana Lima deva ter feito uma exaustiva e, quem sabe, dolorosa pesquisa interna, buscando em si própria os elementos que mais tarde conseguiu converter em comoventes e emocionantes signos visuais e auditivos. Sem dúvida, estamos diante de um trabalho de exepcional qualidade, um dos melhores da atual temporada.

Na equipe técnica, Raul Mourão responde por irretocáveis cenografia, direção de arte e instalação, a mesma excelência aplicando-se à tradução de Eric Nepomuceno, à direção de imagens de Caetano Gotardo, aos figurinos de Domingos Alcântara, à direção de movimento de Denise Stuz, à direção musical de Rodrigo Marçal e à iluminação de Maneco Quinderé.

A MÁQUINA DE ABRAÇAR – Texto de José Sanchis Sinisterra. Tradução de Eric Nepomuceno. Direção de Malu Galli, Com Marina Vianna e Mariana Lima. Espaço Tom Jobim. Quinta e domingo, 19h. Sexta e sábado, 21h30.

matéria no jornal o globo dia 24 de semtembro

setembro 30th, 2009

sc001

para melhor leitura:

http://oglobo.globo.com/cultura/rioshow/mat/2009/09/23/malu-galli-estreia-na-direcao-com-texto-de-sinisterra-que-usa-autismo-para-abordar-os-limites-da-linguagem-767738897.asp

ortsnom

setembro 27th, 2009

E eles vieram. O público. As pessoas. Fizemos pra eles. E eles responderam. Falaram muito, explicaram, expuseram, perguntaram, interpretaram, devolveram.
Mas… o mais legal de tudo é uma certa sensação que parece permanecer algum tempo ainda depois da peça, um sentimento de algo, uma experiência daquilo. Eles tentam falar sobre isso. Alguns calam.
Essa coisa, meio desorganizada, é o tal do monstro que mora entre as palavras do texto. Eu acho que vi a cabeça dele, mas não sei, ninguém sabe ao certo… Será que sai na fotografia? Vão dizer que é montagem… Deixa ele lá, habitando aquele país, falando ao contrário, mexendo com a gente enviesado.
Malu

amigos queridos, chope e palavras. depois do ensaio aberto de sábado.

setembro 24th, 2009

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ensaio aberto

setembro 24th, 2009

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outras pessoas

setembro 20th, 2009

marina

mariana

Observar o processo de criação, aproximar-se dele, fazer parte. Pensar, fazer, duvidar. E então, só então, encontrar alguma simplicidade.
Mãos. Rostos. Presenças.

Caetano

Pânico do palco

setembro 18th, 2009

Estou em pânico, estou num lugar que nunca estive. Não sei andar, não sei a lingua do lugar, não conheço nem reconheço as pessoas, perdi a medida. Como quando comecei a crescer muito, no inicio da adolescência e parecia que ia bater a cabeca no teto do ônibus. Tenho a sensacão de estar com o cérebro pelado, sem o invólucro, nua , numa mesa de operacões. Malu pede pra eu não fazer e eu me defendo sendo teatral e me ferro. Tenho que não atuar. Experimente pedir pra um ator não atuar é como pedir pra uma mãe não se preocupar, uma criança não chorar, um médico não prescrever, diagnosticar. Faço o que então? diante da plateia que vai chegar, vai chegar. Socorro. Eles estão chegando, os alquimistas, vão ver a gente peladas, vão ver que somos falhas, vão ver o erro debaixo da maquiagem, vão perceber o disfarce. Vão sair xingando, pedindo o dinheiro de volta e gritando”fomos enganados, fomos enganados…”
Essa peça ão é uma peca, é uma palestra, é um filme, uma exposição, é um monstro. De repente vira peça, cresce de tamanho e diminui, deixar de ser peça.
Como?
Como faço?
Quero minha mãe, tenho enxaquequa, minhas filhas estão abandonadas chamando a babá de mãe, tenho uma exaqueca terrível e mesmo com tudo isso estou feliz que não me aguento.
Mariana